Livros e Feministas

Oiiiii, sentiram saudades? (não respondam!)

O texto de hoje vai ser curto e bem direto, inspirado em algumas palavrinhas da Nadia Lapa, que disse no tuinto as seguintes palavras:

 Nesse mesmo dia ela indicou dois clássicos: O Mito da Beleza e O Segundo Sexo. Entãããããão dei uma pesquisada aqui para unir a livros que já li algumas referencias que pessoas indicaram (inclusive no próprio facebook da Nadia). Como eu sou só consigo ler um livro por vez (tenho inveja de quem consegue ler mais de um livro simultaneamente) e nesse momento estou envolvido com A Casa dos Budas Ditosos, colocarei alguns deles na lista de “vou ler” - que misteriosamente cresce muito mais rápido que a lista dos “li”.

Ah, vou colocar links também para os que vocês acharem legais comprarem. E não, eu não vou ganhar nada com isso (aliás, vocês podem baixar também. Vai de cada pessoa)

 

O Mito da Beleza - Naomi Wolf.

“(…) As mulheres não passam de “beldades” na cultura masculina para que essa cultura possa continuar sendo masculina. Quando as mulheres na cultura demonstram personalidade, elas não são desejáveis, em contraste com a imagem desejável da ingênua sem malícia. Uma linda heroína é uma espécie de contradição, pois o heroísmo trata da individualidade, é interessante e dinâmico, enquanto a “beleza” é genérica, monótona e inerte. […] Já as obras escritas por mulheres viram o mito de cabeça pra baixo. Os maiores expoentes da literatura feminina têm em comum a procura pela beleza radiante, uma beleza com significado.”

 

O Segundo Sexo - Simone de Bevouir

“(…) Do mesmo modo, as mulheres, quando se lhes confia uma menina, buscam, com um zelo em que a arrogância se mistura ao rancor, transformá-la em uma mulher semelhante a si próprias. E até uma mãe generosa que deseja sinceramente o bem da criança pensará em geral que é mais prudente fazer dela uma “mulher de verdade”, porquanto assim é que a sociedade a acolherá mais facilmente. Dão-lhe por amigas outras meninas, entregam-na a professoras, ela vive entre matronas como no tempo do gineceu, escolhem para ela livros e jogos que a iniciem em seu destino, insuflam-lhe tesouros de sabedoria feminina, propõem-lhe virtudes femininas, ensinam-lhe a cozinhar, a costurar, a cuidar da casa ao mesmo tempo que da toilette, da arte de seduzir, do pudor; vestem-na com roupas incômodas e preciosas de que precisa tratar, penteiam-na de maneira complicada, impõem-lhe regras de comportamento: “Endireita o corpo, não andes como uma pata”. Para ser graciosa, ela deverá reprimir seus movimentos espontâneos; pedem-lhe que não tome atitudes de menino, proíbem-lhe exercícios violentos, brigas: em suma, incitam-na a tornar-se, como as mais velhas, uma serva e um ídolo.”

 

A Dominação Masculina - Pierre Bourdieu

“(…) A postura submissa que se impõe às mulheres cabilas representa o limite máximo da que até se impõe às mulheres, tanto nos EUA quanto na Europa, e que, com inúmeros observadores já demonstram, revela-se em alguns imperativos: sorrir, baixar os olhos, aceitar as interrupções etc. (…) os sentimentos relacionados com as diferentes partes do corpo, com as costas a serem mantidas eretas, com as pernas que não devem ser afastadas etc e tantas outras posturas que estão carregadas de uma significação moral (sentar de pernas abertas é vulgar, ter barriga é prova de falta de vontade etc.) como se a feminilidade se medisse pela arte de "se fazer pequena”(…) mantendo as mulheres encerradas em uma espécie de cerco invisível, limitando o território deixado aos movimentos e aos deslocamentos do seu corpo - enquanto os homens tomam maior lugar com seu corpo, sobretudo em lugares públicos.“

 

O Machismo Invisivel - Marina Castañeda

”(…) A moral dupla consiste no fato de que, quando uma mulher se casa, se compromete seriamente: em muitos casos, renuncia aos estudos ou à profissão, e quando se converte em mãe, renuncia à liberdade. Não pode partir. É muito mais fácil para os homens mudar de ideia; os compromissos que assumem não têm o mesmo peso. Um homem pode decidir que não cuidará do bebê, não irá ao supermercado ou não buscará as crianças na escola; uma mulher não tem essa liberdade. Seu compromisso não é por gosto, é por obrigação; e isso faz toda a diferença no mundo. Quando homens tacham as mulheres de “rígidas” ou de “inflexíveis”, é porque, de fato, elas não têm a mesma liberdade de movimento que eles: não podem atuar de acordo com seus desejos. Isso limita enormemente seu poder em qualquer negociação; em muitas ocasiões, elas negociam necessidades, ao passo que eles negociam preferências.“

 

Na internet, há muita gente bacana que disponibiliza esses livros e dá dicas e sugestões com muito mais propriedade que eu. Esses são os que eu li/vou ler.

Se quiserem mais sugestões vocês vão encontrar em:

Biblioteca Feminista
Livros feministas
Feminismo Aqui
Blogueiras feministas

Boa leitura.

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